O Esquema L

No Esquema L, o símbolo S se refere ao sujeito, sem distinção entre a estrutura psicótica ou neurótica. O símbolo A se refere ao Outro, ao tesouro dos significantes, ou seja, ao inconsciente. O esquema indica que o inconsciente determina o Sujeito, ou que “O inconsciente é o discurso do Outro”.

O sujeito é contido no discurso do Outro, o que é que os quatro cantos do esquema L expressam: S é o sujeito qua efeito do significante que em si não é representado por nenhum significante específico (efeito metonímico); a’ aponta para os outros imaginários que um sujeito se conecta; a é o eu: nada mais que um reflexo dos objetos que deram origem ao desenvolvimento do estádio do espelho; e A é o lugar do qual questões sobre a existência do sujeito irão advir. 

O sujeito vem a existir como um resultado da articulação entre significantes, que conota, mas nunca denota quem o sujeito é. No início, o sujeito é “morto”, e via o processo de significação ele é chamado a existir.

“Quem sou eu?”/ “Quem sou eu para o Outro?”

Juntando, S e A formam a axis simbólica do esquema L: esse é o nível no qual a determinação do sujeito por meios dos significantes é estudado. No esquema, a e a’ forma a axis imaginária. Esse nível concerne às imagens e os significados que o eu adota e atribui ao mundo.

Lacan vai mostrar que falar é fazer falar o Outro como tesouro dos significantes. A fala é produzida através de um desvio pelo Outro. Ao falar, sou falado no lugar do Outro. E isso acontece na medida em que reconheço o Outro em meu interlocutor, isto é, que reconheço que ele está em uma posição simbólica.

O esquema L mostra que, ao falar, se recebe do outro a própria mensagem invertida. Mas há duas estruturas de discurso aos quais se aplica essa formulação: aquela em que há reconhecimento do Outro e aquela que não há reconhecimento do Outro. A primeira corresponde ao discurso neurótico, a segunda, ao discurso psicótico

Quinet (2006) observa que se trata “do retorno no outro, meu semelhante, daquilo que é minha outra cena, o inconsciente” (p. 50). Nesse caso, o sujeito lida com os pequenos outros (imaginários), porque o Outro (da lei simbólica) estaria excluído. No discurso delirante, é na medida em que o sujeito perdeu o Outro simbólico, que ele encontra o Outro puramente imaginário, ou seja, o Outro irrompe no meu semelhante.

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