Esquema I

  • Esse esquema representa a estrutura de Schreber em seu delírio. Ele visa agregar os elementos que constituem a estrutura de Schreber no momento em que ele escreveu sua autobiografia. Representa uma distorção que faz a experiência dele na realidade.
  • No esquema I, Lacan denota essa ausência da lei paterna com o símbolo P0, ou seja, a lei paterna é foracluida. A única saída de Schreber para essa situação dolorosa consiste em tentar descobrir ele mesmo que lei governa o mundo. Essa fora-de-lei em Deus demonstra a foraclusão do Nome-do-Pai.
    • Consequentemente, a função fálica também é zerada
  • Onde se sustenta o criado: Os significantes expressos via alucinação preenchem a falta no simbólico
  • (I) Ideal de eu: Esses significantes alucinados formam o ideal de eu de Schreber, com eles ele consegue articular quem é ele em relação ao Outro. Só procede do discurso materno, tomou o lugar do Outro, que assim adquire acentos super egóicos terríveis.
  • (M) Função Materna/ Língua Materna: Simbolização primordial. Ele consegue usar sua lingua materna para nomear os problemas que é confrontado.
  • Criaturas da Fala: São criadas pelos significantes alucinados com os quais Schreber descreve como a realidade é estruturada. Lacan nota que essas criaturas ocupam o lugar das crianças que Schreber nunca teve.
  • O elemento (i) se refere a gratificação narcísica que está conectada com as práticas transexuais de Schreber. Nesse nível, Schreber se identifica com a imagem da feminilidade. O elemento (m) se refere à identificação ideal: identificação com a posição de mulher de Deus.
  • No esquema I, o imaginário e o simbólico são marcados por remodelações excêntricas, mas, o que é realmente importante é que esses estabilizam a realidade psíquica. Eles se abrem sem a função paterna, deixando um vácuo.
    • A assíntota da esquerda (imaginário) representa o eu delirante (Shreber como A Mulher de Deus)
    • A assíntota direita (simbólico) representa o Outro divino (Deus)
    • A realidade psíquica de Schreber, indicada pelo R, pode ser situada tanto em termos da linha diagonal
    • Como também oscilar entre as dimensões do prazer narcisista ao redor de sua auto-imagem (canto superior esquerdo), e o discurso alienante que ele ouve de fora (canto inferior direito)
      • A realidade é oscilante.
  • O que sobra entre o Imaginário e o Simbólico é uma realidade com formato de parábola. Esse campo parabólico é também estruturado, tem a estrutura de um delírio.
  • Dirige-se a nós: Lacan sugere que a audiência que Schreber tinha em mente para seu livro fez um outro seguro, denotado por (a) no Esquema I. 
  • A axis a-a’ pode ser pensado como a axis que dá estabilidade para o delírio.
    • O relacionamento de Schreber com sua esposa provavelmente ajudou ele ao prover um senso de identidade.
  • Imagem da criatura: Imagem de si corporal?
  • Futuro da criatura: a criação de um delírio re-instalou a dimensão de tempo e permitiu ele antecipar o futuro novamente: quando ele for transformado em mulher, ele vai engravidar, embora através de processos puramente espirituais, de Deus. 
  • Deixada cair pelo Criador: sem estabilidade da simbolização primordial
É um plano hiperbólico (ou uma banda de Moebius com um furo na horizontal)

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