O Esquema R

? – falo/ identificação fálica imaginária

i – eu ideal

a’ – figuras que o eu se identifica

M – função materna/desejo materno

A – Outro

P – função paterna

I – ideal de eu/ criança como função

a – outro

m – moi

S – sujeito

//

S – Simbólico

R – REALIDADE

I – Imaginário

O esquema R representa a realidade e a fantasia dentro das estruturas neuróticas. Ele é, basicamente, o esquema L junto com o complexo de édipo. Ao discernir um triângulo simbólico e um imaginário dentro do esquema, Lacan apresenta como a realidade que o sujeito  percebe é organizada. O triângulo simbólico pode ser encontrado entre os pontos I, M e P, enquanto o imaginário se encontra entre i, m e falo.

O I, ou ideal de eu, se refere aos significantes que marcam o sujeito e nos quais a identificação ocorre. M se refere à mãe e é situado no nível do simbólico no qual um se identifica com (a), outros. Via o M, uma introdução primordial do sistema da linguagem é garantida.

P se refere ao pai, na medida em que encarna a lei e a legalidade. P é situado no nível do inconsciente (A), o que sugere que o inconsciente neurótico reflete uma crença fundamental na legalidade do mundo. Opostamente à P está o falo (?): graças ao significante do pai (P), um significado fálico é criado no nível do Sujeito (S). O “efeito rede” é o campo da realidade, formulado pelo trapezóide MimI, sendo delimitado e organizado. Nesse trapezóide, i se refere à forma do espelho imaginária e m é o símbolo do eu (moi).

A linha entre i e M é a relação imaginária com o outro. Na linha entre m e I se situa a identificação. Essa se constrói em significantes idealizados (I), imagens do espelho incorporadas (a’) e na ideia de ser um eu (m). 

Existe um falocentrismo no esquema R, o que significa que todo o funcionamento subjetivo está organizado ao redor da questão do desejo: a questão do que eu sou e o que o Outro quer.

Lacan (1966) específica em uma nota de rodapé que o trapezóide da realidade é, na verdade, uma banda de Moebius, na qual o m se conecta com o M e o i se conecta com o I. A banda de Moebius é um constructo topológico muito útil para representar o real do signo, ou seja, o significante e significado.

Na mesma nota, Lacan comenta que o esquema inteiro pode ser entendido como um cross-cap, sendo a banda de Moebius encontrada em seu interior e envolvida pela fantasia. É através do cross-cap que se entende a relação do sujeito com o seu desejo. 

O objeto a não é um objeto tangível na neurose, mas sim um presumido e virtual objeto no qual o sujeito se relaciona. Enquanto na psicose o objeto a se manifesta no real, ele é um elemento nulo na neurose. Esse status de anulação é crucial para a experienciação da realidade: na neurose, a “extração do objeto a” tem uma importante função que sustenta o campo da realidade. Não extração: retorno pela voz e pelo olhar (delírio).

(Parte do esquema referente ao complexo de Édipo)
esquema R circular
formação do cross-cap
o cross-cap

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